16 agosto, 2010

Profundamente


“Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente.
Desculpa, tudo que vivi foi muito profundamente.
Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse possibilidade de me inventar de novo.
Desculpa.
Desculpa se te olho profundamente, rente à pele…
A ponto de ver seus ancestrais nos seus traços.
A ponto de ver a estrada onde ficam seus passos.

Eu não vou separar minhas vitórias dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim; nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente.”


Ana Carolina

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"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."