31 janeiro, 2011


Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

26 janeiro, 2011

"O mundo só me parece imenso porque você me mostrou que ele pode ser.
(Eu sei) ele não teria cor sem você.
Ou eu não teria sem você"


Caio Fernando Abreu

"Procure os seus caminhos mas não magoe ninguém nessa procura. arrependa-se, volte atrás, peça perdão. não se acostume com o que não o faz feliz. revolte-se quando julgar necessário. alague seu coração de esperança, mas não deixe que ele se afogue nelas. se achar que precisa voltar, volte! se perceber que precisa seguir, siga! se estiver tudo errado, comece novamente! se estiver tudo certo, continue! se sentir saudade, mate-a! se perder um amor, não se perca! se achar, segure-o!"

Fernando Pessoa

Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto - como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente - como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota - como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome.

Clarice Lispector

Saber desistir. Abandonar ou não abandonar – esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está longe de ser rara a situação angustiosa em que devo decidir se há algum sentido em prosseguir jogando. Serei capaz de abandonar nobremente? ou sou daqueles que prosseguem teimosamente esperando que aconteça alguma coisa? como, digamos, o próprio fim do mundo? ou seja lá o que for, como a minha morte súbita, hipótese que tornaria supérflua a minha desistência?

Eu não quero apostar corrida comigo mesmo. Um fato.


Clarice Lispector, "Um sopro de vida".
Como é bom sentir a brisa
Como é bom ouvir palavras que adoçam a vida
Como é bom ter alguém ao nosso lado

21 janeiro, 2011

Eu quero é me afogar nos seus beijos e grudar em você...